Sucessão vira campo aberto e expõe tensão na base de Ratinho Júnior

Ratinho perde controle da sucessão no PR enquanto brinca de Planalto. Do blog do Esmael

O governador Ratinho Junior (PSD) perdeu o controle da sucessão no Paraná enquanto estica, em Brasília e São Paulo, a fantasia de presidenciável. A política real, aquela que decide bancada, palanque e poder, ficou rodando solta em Curitiba, com aliados se engalfinhando e montando planos próprios para 2026.

Crise

A crise tem endereço, o Palácio Iguaçu não conseguiu arbitrar o nome do grupo e deixou três pré-candidaturas dentro do PSD disputando oxigênio. O secretário das Cidades, Guto Silva, aparece como preferido do mandatário cessante, mas a escolha não unificou a base. Ao contrário, virou combustível para o medo eleitoral de deputados que dependem de chapa forte para sobreviver.

Esse pânico não é abstrato. No diagnóstico que corre entre governistas, uma candidatura que não agrega tende a reduzir a bancada e puxar a reeleição de muita gente para baixo. O Blog do Esmael já registrou esse ambiente de autopreservação na ALEP, com parlamentares calculando o custo de permanecer num partido que pode sair menor da eleição.

Erro de cena

Ratinho saiu do palco e a engrenagem acelerou. Alexandre Curi, presidente da Assembleia, fez o que político experiente faz quando percebe que o comando hesita, avisou que tem projeto próprio e abriu a porta para uma travessia “sem rompimento”. O recado ficou ainda mais contundente quando Curi reafirmou que é pré-candidato ao governo e não trabalha com “plano B”, com decisão até o fim de março.

Vice- governador Darci Piana e Ratinho Júnior

Guerra à vista

O ponto decisivo foi o insulto que virou senha. O secretário Márcio Nunes, em declaração repercutida na imprensa, comparou uma eventual saída de Curi do PSD a “um piá pançudo que não foi escolhido”, frase entendida como desrespeito e, ao mesmo tempo, como antecipação do corte.

Dentro da ALEP, a leitura foi cirúrgica. A grosseria não foi só grosseria. Foi interpretada como confirmação de que o Palácio Iguaçu já teria escolhido seu trilho e que, passada a janela partidária, os preteridos seriam escanteados sem cerimônia. É um recado que muda o clima porque junta ofensa e prazo.

E o Greca?

Aí entra Rafael Greca. O ex-prefeito de Curitiba, hoje secretário de Desenvolvimento Sustentável, também é tratado como alternativa interna que perdeu espaço no desenho palaciano. Quando Curi e Greca concluem que a decisão não virá a favor deles, o jogo deixa de ser disputa de preferência e vira operação de fuga, cada um com suas pontes, suas conversas e seus destinos possíveis.

O que torna esse movimento explosivo é o efeito de arrasto. Curi não é apenas um nome, ele é presidente da ALEP, controla rito, liturgia e convivência interna. Greca não é apenas um ex-prefeito, ele carrega recall metropolitano e peso em Curitiba, que costuma decidir eleição no segundo turno. Se os dois caminharem fora do PSD, a debandada deixa de ser boato e vira migração em bloco.

Republicanos

A foto de domingo (22), na Arena da Baixada, ajuda a entender o subtexto. Curi apareceu ao lado de Pedro Lupion (Republicanos-PR) e Do Carmo, num registro que o Blog já havia tratado como recado sobre sucessão e debandada. A imagem conversa com um fato anterior, o Republicanos já tinha colocado Curi no palco como peça para 2026, sinalizando que há estrutura esperando por ele do lado de fora.

Enquanto isso, Ratinho aposta no palco nacional. Kassab vende um PSD de “presidenciáveis” e governadores em movimento. Só que, na prática, o partido joga no varejo do poder, cresce onde dá, negocia onde convém e acena para mais de um campo, inclusive com Lula (PT), como o Blog analisou.

No Paraná, o resultado desse foco dividido é simples. Sem árbitro, o mercado político precifica risco e cada deputado busca a própria boia. É assim que nasce a debandada histórica, não por amor a um partido novo, mas por medo de afundar com o velho.

Briga no PSD

A briga interna do PSD ainda reorganiza o entorno. Sergio Moro (União Brasil) continua sendo citado em conversas sobre engenharia partidária para viabilizar candidatura, com a Democracia Cristã (DC) aparecendo como uma rota ventilada após tensão na federação. E o PL também desenha cenário próprio, com Fernando Giacobo (PL) admitindo ao Blog uma candidatura tática para garantir palanque bolsonarista no estado se Ratinho insistir na aventura nacional.

Até o Palácio Iguaçu tentou segurar o estrago público. No episódio das férias e reuniões, o governo procurou a mídia corporativa para negar que Ratinho tenha interrompido descanso ou feito tratativas diretas dos Estados Unidos sobre a crise partidária, mostrando o grau de sensibilidade do tema. Negar já é admitir que há fogo, porque ninguém desmente o que não machuca.

No balanço, Ratinho corre o risco de descobrir tarde o básico da política, sucessão não aceita vácuo. Quando o governador prefere brincar de Planalto e adia a decisão local, ele entrega a caneta para quem tem mandato, base e pressa. E, no Paraná, essa pressa atende pelos nomes de Alexandre Curi e Rafael Greca.

Portanto, o “controle” da sucessão já não mora no Palácio Iguaçu. Está na mão de quem decide se fica, se sai e quantos leva junto. Ratinho Júnior, por ora, assiste à banda passar.

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