Hospital Universitário comemora 300 autotransplantes de medula óssea em Londrina.

A área de TMO (Transplante de Medula Óssea) do HU (Hospital Universitário) de Londrina comemorou, na manhã desta quinta-feira (20), a marca de 300 transplantes autólogos (autotransplantes) de medula óssea na unidade, que atende há 15 anos no município. (Portal Bonde)

UEL - Hospital Universitário

O número, que pode parecer irrisório quando dividido pelos anos de operação, é motivo de orgulho para as profissionais que atuam na linha de frente. Segundo Letícia Gordan, coordenadora médica de TMO do hospital, a área atende as macrorregiões Norte e Noroeste do Paraná, abrangendo 3,5 milhões de pessoas. Apesar da quantidade significativa de potenciais pacientes, a ala conta com apenas três leitos, o que permite o atendimento de somente 30 pessoas por ano.

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O transplante autólogo não é o mais comum entre as modalidades do gênero. O mais usual, de acordo com Gordan, é o alogênico, que utiliza células-tronco de doadores.

“Temos várias categorias de transplante. A nossa categoria é o autólogo, do paciente para ele mesmo. Algumas doenças têm indicação de transplante autólogo, principalmente nos casos de mieloma múltiplo, que são a maioria dos nossos pacientes, além de alguns linfomas, neuroblastomas e tipos de leucemia mielóide aguda. Para esse tipo de transplante, não precisa de um doador. O paciente o faz para ele próprio, com células-tronco dele mesmo”, explica.

Os pacientes atendidos na área de TMO do HU saem tratados de outros hospitais de referência e usam o transplante autólogo para fazer uma consolidação do tratamento, quando precisam de quimioterapia mais forte para que a doença residual não volte.

“A gente colhe as células do próprio paciente por meio de uma máquina e guarda as células. Aí, nesse intervalo, podemos dar uma quimioterapia mais intensa para diminuírem as chances de volta [do câncer].”

Antes de qualquer processo, os interessados passam por uma fase de elegibilidade para que sejam conferidas as comorbidades e condições que poderiam dificultar a recuperação pós-transplante.

“Nem sempre quem chega com as doenças aceitas para o transplante a gente consegue transplantar, porque podem ter alguma insuficiência cardíaca mais grave ou um problema pulmonar, por exemplo. Se a gente for expor ao tratamento de alta intensidade, podemos matá-lo por causa das condições físicas”, ressalta Joana Ciocari, médica que também atua na ala de TMO. De acordo com ela, apenas 5% das pessoas que procuram esse tipo de transplante são excluídas já na fase de elegibilidade.

ETAPAS DO TRATAMENTO

O autotransplante é dividido em duas fases. A primeira é a coleta de células-tronco no tutano do osso. Os médicos usam medicação por cinco dias para as células se multiplicarem e as tiram por meio de uma máquina num procedimento chamado Leucoferese 

Em seguida, os materiais são congelados a uma temperatura média de - 86ºC no Laboratório de Criopreservação que fica no Hemocentro. As células podem ser mantidas por até dois anos.

Na segunda etapa, os pacientes fazem a quimioterapia mais intensa e, após o período que varia de pessoa para pessoa, as células são devolvidas ao corpo e voltam à normalidade após 15 dias.

O transplante autólogo, segundo as profissionais, é menos arriscado que o alogênico, porém não é 100% efetivo em todos os casos.

“Ele é curativo para linfoma, tumor de célula germinativa, alguns tipos de leucemia e neuroblastoma, mas não é integralmente eficaz, depende de como a doença chegou aqui”, destaca Gordan. “Para pacientes de mieloma, aumenta a sobrevida. Eles ficam sem a doença por um tempo grande, ela fica adormecida. Então, o transplante dá qualidade, apesar de não ser curativa”, complementa.

Após o procedimento, os pacientes são acompanhados por 100 dias e depois são devolvidos para os médicos de acompanhamento inicial.

‘LUGAR PREPARADO POR DEUS’

A empresária e engenheira civil Daniele Schelles, de 29 anos, saiu de Maringá (Noroeste), onde recebia atendimento no HC (Hospital das Clínicas) do município, para se tratar no HU em Londrina. Ela alcançou a cura total de um linfoma de Hodgkin e o autotransplante - feito em 24 de setembro de 2024 - foi fundamental no processo.

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A jornada de Schelles em Londrina durou 33 dias, período que não deixou de trabalhar. “Em todo esse tempo, eu não parei de trabalhar. Levei computador e continuei trabalhando”, relembra.

As expectativas eram altas, já que a médica que a acompanhava na Cidade Canção já conhecia o tratamento da ala de TMO do HU. “A doutora falou que esse tratamento iria criar mais uma barreira contra o câncer, além dos tratamentos que eu já estava fazendo. Então, confiei muito nela. Mas, mesmo assim, tive muitas incertezas por ser um lugar novo e um tratamento novo.”

Para ela, a surpresa no Hospital Universitário foi enorme. Religiosa, ela diz que o local foi preparado por Deus. “Eu poderia ser mandada para vários lugares. Até falei hoje no evento que foi o melhor lugar para eu ir. Creio que foi preparado por Deus. Não tem o que reclamar da equipe: ambiente, estrutura… sendo SUS muita gente tem medo de não ter estrutura, mas é tudo de primeira”, garante.

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